Missa
LEITURA I Ez 18, 25-28
Eis o que diz o Senhor: «Vós dizeis: ‘A maneira de proceder do Senhor não é justa’. Escutai, casa de Israel: Será a minha maneira de proceder que não é justa? Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto? Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal e vier a morrer, morrerá por causa do mal cometi do. Quando o pecador se afastar do mal que ti ver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida. Se abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometi do, há de viver e não morrerá».
SALMO RESPONSORIAL Salmo 24 (25), 4-5.6-7.8-9
Refrão: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa misericórdia.
LEITURA II – Forma breve Filip 2, 1-5
Irmãos: Se há em Cristo alguma consolação, algum conforto na caridade, se existe alguma comunhão no Espírito, alguns sentimentos de ternura e misericórdia, então completai a minha alegria, tendo entre vós os mesmos sentimentos e a mesma caridade, numa só alma e num só coração. Não façais nada por rivalidade nem por vanglória; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos, sem olhar cada um aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros. Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus.
EVANGELHO Mt 21, 28-32
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?». Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Batista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».
Meditação da Palavra de Deus: Reflexão
No Domingo passado, Jesus convidava a todos e em todas as estações da vida: “Ide trabalhar para a minha vida”. No evangelho de hoje, este mandato continua mas agora é questão da obediência ou da recusa ao que Deus nos pede. E o que importa não são tanto as palavras que dizemos, mas as ações que praticamos, pois «não é aquele que diz “Senhor, Senhor”, que entrará no reino de Deus mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.»
Nesta parábola há um filho que diz “não” ao Pai. Jesus não está simplesmente a elogiar quem inicialmente diz “não”. O que Ele valoriza é a conversão, isto é, a capacidade de mudar de atitude e transformar a palavra em ação. Conheço uma pessoa que me diz, muitas vezes, que acha que não tem fé, que não sente nada daquilo que ouve dizer aos crentes, mas ele é o primeiro no serviço da própria comunidade, sempre disponível, sempre atento, sempre prestável para com todos, especialmente os pobres. Ele é um exemplo de que, em última análise, não são tanto as palavras ou as emoções que contam, mas a decisão de fazer o bem, de servir o Senhor na sua vinha. Jesus diz mesmo, noutro local, que aquele que faz a vontade do Pai é semelhante a quem constrói a sua casa sobre rocha firme e aqueles que ouvem, dizem sim, mas não se mexem, constroem sobre a areia.
Irmãos e irmãs, qual dos dois filhos somos nós?
Talvez encontremos em nós um pouco dos dois. Há momentos em que dizemos “sim” a Deus, mas não cumprimos; e há momentos em que resistimos, mas depois encontramos coragem para mudar. A boa notícia é que Deus não desiste de nós. Ele continua a chamar-nos para a sua vinha e dá-nos sempre a oportunidade de recomeçar. Peçamos, neste domingo, não apenas a graça de dizer “sim” com os lábios, mas sobretudo de dizer “sim” com a
nossa vida. Porque é esse “sim” vivido no amor, no serviço, no perdão e na justiça que verdadeiramente transforma o mundo. E sejamos práticos: Vejamos onde concretamente podemos dizer sim para a vinha do Senhor.
Pe. Jorge Santos




