Domingo XXXII do Tempo Comum
Dedicação da Basílica de Latrão – FESTA
Nota Histórica
Festa
Celebra‑se neste dia o aniversário da dedicação da basílica de Latrão, construída pelo imperador Constantino, no tempo do papa Silvestre I (314-335), em honra de Cristo Salvador, e catedral da Igreja de Roma. Inicialmente foi uma festa da cidade de Roma. Mais tarde, estendeu‑se à Igreja de Rito Romano, com o fim de honrar a basílica que é chamada «a igreja‑mãe de todas as igrejas da Urbe e do Orbe» e como sinal de amor e unidade para com o Romano Pontífice.
Missa
Antífona de entrada Cf. Ap 21, 2.10
Eu vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, resplandecente da glória de Deus, como noiva adornada para o seu esposo.
Ou: Cf. Ap 21, 3
Eis a morada de Deus com os homens. Eles serão o seu povo e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus.
Diz-se o Glória.
Oração coleta
Senhor nosso Deus, que edificais o templo da vossa glória com pedras vivas e escolhidas, multiplicai sobre a Igreja o espírito de graça, para que o povo fiel cresça cada vez mais para a edificação da Jerusalém celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Ou:
Senhor nosso Deus, que Vos dignastes chamar esposa à vossa Igreja, fazei que o povo dedicado ao vosso serviço Vos adore, Vos ame e Vos siga fielmente e, guiado por Vós, alcance o reino prometido. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
LEITURA I Ez 47, 1-2.8-9.12
«Vi a água sair do templo e todos aqueles a quem chegou esta água foram salvos» (Ant. Vidi aquam)
Leitura da Profecia de Ezequiel
Naqueles dias, o Anjo reconduziu-me à entrada do templo. Debaixo do limiar da porta saía água em direcção ao Oriente, pois a fachada do templo estava voltada para o Oriente. As águas corriam da parte inferior, do lado direito do templo, ao sul do altar. O Anjo fez-me sair pela porta setentrional e contornar o templo por fora, até à porta exterior que está voltada para o Oriente. As águas corriam do lado direito. O Anjo disse-me: «Esta água corre para a região oriental, desce para Arabá e entra no mar, para que as suas águas se tornem salubres. Todo o ser vivo que se move na água onde chegar esta torrente terá novo alento e o peixe será mais abundante. Porque aonde esta água chegar, tornar-se-ão sãs as outras águas e haverá vida por toda a parte aonde chegar esta torrente. À beira da torrente, nas duas margens, crescerá toda a espécie de árvores de fruto; a sua folhagem não murchará, nem acabarão os seus frutos. Todos os meses darão frutos novos, porque as águas vêm do santuário. Os frutos servirão de alimento e as folhas de remédio».
Palavra do Senhor.
SALMO RESPONSORIAL Salmo 45 (46), 2-3.5-6.8-9 (R. 5)
Refrão: Os braços dum rio alegram a cidade de Deus,
a morada santa do Altíssimo.
Deus é o nosso refúgio e a nossa força,
auxílio sempre pronto na adversidade.
Por isso nada receamos ainda que a terra vacile
e os montes se precipitem no fundo do mar.
Os braços dum rio alegram a cidade de Deus,
a mais santa das moradas do Altíssimo.
Deus está no meio dela e a torna inabalável,
Deus a protege desde o romper da aurora.
O Senhor dos Exércitos está connosco,
o Deus de Jacob é a nossa fortaleza.
Vinde e contemplai as obras do Senhor,
as maravilhas que realizou na terra.
LEITURA II 1 Cor 3, 9c-11.16-17
«Vós sois templo de Deus»
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Irmãos: Vós sois edifício de Deus. Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, coloquei o alicerce e outro levanta o edifício. Veja cada um como constrói: ninguém pode colocar outro alicerce além do que está posto, que é Jesus Cristo. Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é santo e vós sois esse templo.
Palavra do Senhor.
ALELUIA 2 Cr 7, 16
Refrão: Aleluia. Repete-se
Escolhi e consagrei esta casa, diz o Senhor,
para que o meu nome esteja neste lugar para sempre. Refrão
EVANGELHO Jo 2, 13-22
«Falava do templo do seu Corpo»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas:
«Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?». Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?». Jesus, porém, falava do templo do seu Corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus.
Palavra da salvação.
Meditação da Palavra de Deus: Reflexão
“Nós somos o templo vivo de Deus”
Muitos de nós já fomos a S. João de Latrão, em Roma, e ficamos quase sem respiração diante da beleza grandiosa desta primeira Igreja do mundo, a catedral do bispo de Roma, o Papa. Mas por mais bela que seja, é apenas um sinal da Igreja viva que todos nós somos chamados a ser. É este mistério profundo de um Deus que habita no meio do seu povo, a sua Igreja edificada em Cristo, que hoje celebramos. A Basílica de São João de Latrão, como catedral do Papa, é sinal visível da comunhão de todas as comunidades cristãs com a Igreja de Roma e, portanto, da unidade da Igreja universal.
As leituras que escutamos explicam-nos o mistério da Igreja que formamos em Cristo.
- O templo de onde brota vida (Ez 47, 1-12): Na primeira leitura, Ezequiel contempla uma visão maravilhosa: do templo jorra uma torrente de água-viva, que faz renascer tudo o que toca – purifica, cura, fecunda. Esta água é símbolo da graça que brota do coração de Cristo e se espalha pelo mundo, trazendo vida onde havia esterilidade. O templo é, assim, fonte de vida. Cristo é o verdadeiro Templo, de cujo lado aberto na cruz brotaram sangue e água, sinal dos sacramentos que fazem e alimentam a Igreja. A Igreja de Cristo é, pois, chamada a ser fonte de vida, de paz e de esperança no meio do mundo. A Igreja está no mundo para ser sinal de esperança e para curar as feridas da humanidade qual hospital de campanha, nas palavras do saudoso Papa Francisco.
- O templo somos nós (1 Cor 3, 9-17): São Paulo leva-nos ainda a aprofundar mais este mistério que somos em Cristo dizendo: “Vós sois edifício de Deus… o templo de Deus é santo, e vós sois esse templo.” A presença de Deus não se limita às paredes de pedra — habita no coração dos fiéis, no corpo vivo da Igreja. É por isso que a santidade de cada um de nós constrói a beleza da Igreja inteira. Cada gesto de amor, cada oferta de perdão concedido, cada esforço pela justiça é uma pedra colocada neste edifício espiritual. E, do mesmo modo, cada pecado, cada divisão ou indiferença fere este templo, destrói a comunhão onde o Espírito quer habitar.
- A Igreja missionária: A Igreja, porém, não se restringe ao culto. Este é ponto de partida, mas ela deve, como na visão de Ezequiel, deixar jorrar a graça de Deus para o mundo: pelo testemunho da fé, através da evangelização e pelo testemunho da caridade, através da solidariedade com os pobres e da luta pela justiça, pela paz e por um mundo mais humano.
Louvemos a Deus pela Igreja que formamos em Cristo. Trabalhemos juntos para que esta Igreja que somos, que se concretiza na proximidade aqui na paróquia, seja cada vez mais viva, acolhedora, e servidora ao jeito de Jesus.
Diz-se o Credo.
Oração sobre as oblatas
Recebei, Senhor, os dons que Vos oferecemos e concedei ao vosso povo em oração a graça de ser santificado por estes sacramentos e a alegria de ver atendidas as suas súplicas. Por Cristo nosso Senhor.
Prefácio II da dedicação de uma igreja – Fora da igreja dedicada.
Antífona da comunhão Cf. 1Pd 2, 5
Nós somos as pedras vivas do templo espiritual, somos o sacerdócio santo de Deus.
Oração depois da comunhão
Senhor nosso Deus, que fizestes da vossa Igreja na terra o sinal visível da Jerusalém celeste, permiti que, pela participação neste sacramento, nos tornemos templos da vossa graça e entremos um dia na vossa morada gloriosa. Por Cristo nosso Senhor.
Pode utilizar-se a fórmula de bênção solene.




