Folha Paroquial 03.05.2026 — Domingo V da Pácoa — Ano A

Missa

Antífona de entrada Cf. Sl 97, 1-2
Cantai ao Senhor um cântico novo, porque o Senhor fez maravilhas: aos olhos das nações revelou a sua justiça. Aleluia.

Diz-se o Glória.

Oração coleta
Deus todo-poderoso e eterno, realizai sempre em nós o mistério pascal, para que, tendo sido renovados pelo santo Batismo, com o auxílio da vossa proteção, dêmos fruto abundante e alcancemos as alegrias da vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

LEITURA I Atos 6,1-7

«Escolheram sete homens cheios do Espírito Santo…»

Logo desde o princípio, os Apóstolos começaram a sentir a necessidade de chamar outras pessoas para colaborarem em diversos ministérios da comunidade cristã. O grupo dos sete, de que hoje se referem os nomes, foram dos primeiros a serem escolhidos. O seu campo de ação foi a assistência material aos mais necessitados, no caso imediato, a certo grupo de viúvas; deste modo os Apóstolos ficavam mais disponíveis para a oração e a pregação da palavra de Deus. A Igreja começava a organizar-se, conforme as necessidades o pediam.

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e obedecia à fé também grande número de sacerdotes.
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 32 (33), 1-2.4-5.18-19 (R. 22)

Refrão: Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia. Repete-se
Ou: Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor. Repete-se

Justos, aclamai o Senhor,
os corações retos devem louvá-l’O.
Louvai o Senhor com a cítara,
cantai-Lhe salmos ao som da harpa. Refrão

A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor. Refrão

Os olhos do Senhor estão voltados
para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome. Refrão

LEITURA II 1 Pedro 2, 4-9

«Vós sois geração eleita, sacerdócio real»

A Igreja foi comparada pelo Senhor a um edifício. Agora, o Apóstolo desenvolve a comparação: Cristo é a Pedra, viva pela sua ressurreição e fonte de vida; os cristãos são, por sua vez, pedras vivas, vivendo da vida do Ressuscitado, que unidos a Cristo, vão formando o edifício, o templo novo, em que habita o Espírito Santo, a Igreja. Ela é a comunidade dos crentes, escolhida na continuação do povo escolhido do Antigo Testamento, comunidade sacerdotal, que há de levar aos pagãos a Boa Nova do reino de Deus, e fazer que também eles proclamem os louvores d’Aquele que os chamou das trevas para a luz do reino de Deus.

Leitura da Primeira Epístola de São Pedro

Caríssimos: Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso se lê na Escritura: «Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido». Honra, portanto, a vós que acreditais. Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular», «pedra de tropeço e pedra de escândalo». Tropeçaram por não acreditarem na palavra, pois foram para isso destinados. Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores» d’Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.
Palavra do Senhor.

ALELUIA Jo 14, 6
Refrão: Aleluia. Repete-se
Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor;
ninguém vai ao Pai senão por mim. Refrão

EVANGELHO Jo 14, 1-12

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida»

Jesus vai deixar visivelmente os seus, a quem o mundo há de perseguir. Procura, por isso, incutir-lhes coragem e esperança. Ele parte, mas vai para o Pai. Os seus discípulos têm todos lá também o seu lugar. A Igreja seguirá o seu Senhor. Ele mesmo é o caminho, não só pelo que ensina, mas pelo que Ele mesmo é. Ele é a verdade e vida. Mas os seus discípulos, agora ainda mais profundamente unidos a Ele, hão de continuar no mundo a sua presença e a sua ação, agora na Igreja, enviada ao mundo, sob a ação do Espírito Santo.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».
Palavra da salvação.

Meditação da Palavra de Deus: Reflexão

Comunidade viva

Quando uma Comunidade é viva e dinâmica surgem sempre problemas para resolver. E à medida que cresce, crescem também os problemas e as soluções novas a encontrar para eles. Mas isso é bom. Só uma comunidade estagnada não tem problemas novos, porque, simplesmente, o novo não existe e refugia-se atrás do «fez-se sempre assim».

Na primeira leitura, aparece-nos logo um problema concreto. O número dos discípulos aumentava – o que é uma boa notícia – mas, ao mesmo tempo, surgem queixas e tensões. Alguns sentem-se esquecidos, postos de lado. E os Apóstolos percebem que já não conseguem chegar a tudo. Aquilo que antes funcionava, agora já não chega.

O serviço da caridade não é menos importante do que a oração e o anúncio, só que aquele pode e deve ser feito por outros em quem os apóstolos deleguem. E é interessante ver como eles reagem. Não entram em pânico, não fingem que não há problema, nem tentam resolver tudo sozinhos. Fazem algo muito importante: param, fazem discernimento e reorganizam a vida da comunidade. Chamam outros, confiam responsabilidades, criam novos ministérios.

Ou seja, compreendem que o crescimento traz exigências novas e que servir melhor implica mudar, confiar e envolver mais pessoas. Isto ensina-nos muito. Às vezes, nas comunidades, há problemas reais que são normais, mas nem sempre os queremos ver ou pensamos que se resolvem por si, com tempo. Precisamos de fazer como os apóstolos. Reunir a comunidade, expor o problema e discernir a melhor solução para o futuro. A vida é dinâmica, as situações mudam, os desafios crescem.  E uma Igreja viva não tem medo disso. Sabe que precisa constantemente de se renovar para continuar fiel à sua missão.

Quais nos parecem ser na nossa comunidade os problemas a merecer reflexão e soluções novas? Essa reflexão e o encontrar de caminhos novos não pode ser feita só pelo padre nem só por alguns que mais servem na paróquia. Deve ser por todos, porque não se trata só de uma questão de organização, é muito mais, tem a ver com a identidade profunda que formamos em Cristo, como nos lembra a segunda leitura. S. Pedro diz-nos: «E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo».

Não somos elementos decorativos. Não somos público. Não estamos aqui como quem assiste a algo que outros fazem. Cada um de nós é chamado a fazer parte da construção. Uma igreja será cada vez mais viva quanto mais os seus membros tiverem esta consciência de serem pedras vivas na construção do edifício espiritual. Há muita gente para quem a palavra “igreja” ainda é só a casa com uma torre alta onde vão à missa ao domingo ou em dias de festa.  Este continua a ser ainda hoje um dos maiores desafios, embora já se tenha caminhado muito para melhor. S. Pedro é claro: todos somos necessários. Cada um com o seu lugar, com os seus dons, com as suas possibilidades. A Igreja constrói-se com a participação real de cada batizado.

Estou verdadeiramente a caminhar com os outros, em Igreja, seguindo Cristo… ou continuo a fazer o caminho sozinho, à minha maneira?

Que o Senhor nos ajude a crescer como comunidade viva, disponível, capaz de se renovar, e, sobretudo, capaz de caminhar unida, com os olhos postos n’Aquele que é o caminho, até à casa do Pai, onde há lugar para todos, todos, todos.

Diz-se o Credo.

Oração sobre as oblatas
Senhor nosso Deus, que, pela admirável permuta de dons neste sacrifício, nos fazeis participar na comunhão convosco, único e sumo bem, concedei-nos que, conhecendo a vossa verdade, dêmos testemunho dela na prática das boas obras.
Por Cristo nosso Senhor.

Prefácio Pascal I-V.

Antífona da comunhão Cf. Jo 15, 5
Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, dá fruto abundante. Aleluia.

Oração depois da comunhão
Protegei, Senhor, o vosso povo, que saciastes nestes divinos mistérios, e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Cristo nosso Senhor.

Pode utilizar-se a fórmula de bênção solene.

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