Folha Paroquial 12.07.2026 — Domingo XIV do Tempo Comum — Ano A

Missa

Antífona de entrada Cf. Sl 16, 15
Eu venho, Senhor, à vossa presença: ficarei saciado ao contemplar a vossa glória.

Oração coleta
Senhor nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

LEITURA I Is 55, 10-11

«A chuva faz a terra produzir»

Na terceira leitura deste domingo, o Senhor vai comparar a palavra de Deus à semente, que é lançada à terra. Mas, desde já, nesta primeira leitura, nos é dito, pela boca do profeta, que a semente da palavra tem em si mesma uma força divina que a torna eficaz, cheia de capacidade para que possa produzir todo o alimento de que o homem necessita para o seu espírito.

Leitura do Livro de Isaías

Eis o que diz o Senhor: «Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão».
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 64 (65), 10abcd.10e-11.12-13.14

(R. Lc 8, 8)
Refrão: A semente caiu em boa terra e deu muito fruto. Repete-se

Visitastes a terra e a regastes,
enchendo-a de fertilidade.
As fontes do céu transbordam em água
e fazeis brotar o trigo. Refrão

Assim preparais a terra;
regais os seus sulcos e aplanais as leivas,
Vós a inundais de chuva
e abençoais as sementes. Refrão

Coroastes o ano com os vossos benefícios,
por onde passastes brotou a abundância.
Vicejam as pastagens do deserto
e os outeiros vestem-se de festa. Refrão

Os prados cobrem-se de rebanhos
e os vales enchem-se de trigo.
Tudo canta e grita de alegria. Refrão

LEITURA II Rom 8, 18-23

«As criaturas esperam a revelação dos filhos de Deus»

O pecado do homem faz com que toda a criação, de que o homem é a cabeça, participe no estado de escravatura a que ele próprio se reduziu, mas a libertação, que de Deus nos vem por Jesus Cristo, há de estender-se a todas as criaturas e fazer como que uma nova criação. E assim todos e tudo encontrarão a unidade em Deus, por Jesus Cristo.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos: Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há de manifestar em nós. Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus. Elas estão sujeitas à vã situação do mundo, não por sua vontade, mas por vontade d’Aquele que as submeteu, com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza, para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adoção filial e a libertação do nosso corpo.
Palavra do Senhor.

ALELUIA
Refrão: Aleluia. Repete-se
A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo.
Quem O encontra viverá eternamente. Refrão

EVANGELHO – Forma longa Mt 13, 1-23

«Saiu o semeador a semear»

Jesus fala em parábolas. Hoje apresenta a do semeador. A palavra de Deus, fonte de vida, continua a ser semeada sobre a terra imensa dos homens, e produzirá muito fruto, se essa terra for capaz de a receber. A palavra vem a nós em cada celebração litúrgica, na leitura individual da Sagrada Escritura, no eco que dentro de nós se faz ouvir a partir das vezes em que, no passado, a escutámos, desde os tempos, talvez distantes, da catequese ou da família onde crescemos, e até nos acontecimentos da vida e na própria voz da criação. Tudo nos repete a palavra de Deus.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça». Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Porque lhes falas em parábolas?». Jesus respondeu: «Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não. Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas, porque veem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: ‘Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas sem ver. Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure’. Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem! Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. Escutai, então, o que significa a parábola do semeador: Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».
Palavra da salvação.

EVANGELHO – Forma breve Mt 13, 1-9

«Saiu o semeador a semear»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça».
Palavra da salvação.

Meditação da Palavra de Deus: Reflexão

Que tipo de terreno é o meu coração?

Na liturgia deste domingo Deus confronta-nos com a importância que damos ou não à Sua Palavra. Na primeira leitura, Deus compara a Sua palavra à chuva e à neve que descem do céu. Nunca caem em vão. Fecundam a terra, fazem-na germinar e produzir fruto. Assim acontece com a Palavra de Deus: ela nunca é estéril. Traz em si uma força divina capaz de transformar a vida humana. Acreditas nisto?

No Evangelho, Jesus utiliza outra imagem, igualmente bela: a da semente. O semeador sai a semear e lança a semente por toda a parte. Parece ser um grande esbanjador de semente. Percebemos todos que a semente é a palavra de Deus; a terra somos nós, é o nosso coração.

A semente é sempre boa e o semeador não faz distinção entre terrenos; semeia generosamente, para qualquer terreno, porque Deus nunca se cansa de oferecer a sua Palavra a todos. A única diferença está na terra que a recebe. E isto leva-nos a faze a pergunta inevitável. Que tipo de terreno é o meu coração? Para respondermos com verdade perguntemo-nos: Quanto tempo dedico à escuta ou meditação da Palavra de Deus? Que tempo dou à sua escuta?

Talvez a imagem que mais nos interpela seja a da semente que cai sobre o terreno pedregoso. Jesus diz que ela é recebida com alegria. Não há rejeição. Pelo contrário, há entusiasmo. A semente germina rapidamente. Tudo parece promissor. Mas, como não criou raízes, basta chegar o calor do sol para secar.

Não será esta uma imagem muito atual?

Quantas pessoas fizeram uma experiência bonita da fé! Participaram na catequese, num retiro, numa peregrinação, num percurso Alpha, num encontro de jovens, saíram felizes, emocionadas, convencidas de que a sua vida tinha mudado. Durante algum tempo eram presença assídua na comunidade. Participavam, colaboravam, rezavam.

Mas depois a vida continuou. Vieram as preocupações, o trabalho, as dificuldades familiares, uma doença, uma desilusão com alguém da Igreja, o cansaço, a rotina… E, pouco a pouco, deixaram de aparecer. A chama apagou-se.

Não porque Deus tenha deixado de falar. Não porque a Palavra tenha perdido a sua força. Mas porque a fé não chegou a criar raízes profundas.

Jesus recorda-nos que a fé não vive apenas de entusiasmo. Os sentimentos são importantes, mas não chegam. A fé amadurece na perseverança. As raízes crescem lentamente, quase sem se verem. Crescem na oração diária, na escuta perseverante da Palavra, na Eucaristia dominical, na confissão frequente, na vida da comunidade e nas pequenas fidelidades de cada dia. Não é um grande entusiasmo de fé vivido num momento que é sinal de uma fé viva, é sobretudo na perseverança que isso se vê.

Uma árvore resiste às tempestades não porque os seus ramos são fortes, mas porque as suas raízes são profundas. Também um cristão permanece de pé quando a sua vida está profundamente enraizada em Cristo. Ele é «a casa construída sobre a rocha».

A Palavra de Deus não foi escrita para aumentar os nossos conhecimentos religiosos; foi-nos dada para transformar a nossa vida.

No final desta parábola, Jesus fala também da boa terra. É aquela que escuta, compreende e dá fruto. Uns trinta, outros sessenta, outros cem por um. Nem todos produzem da mesma maneira, mas todos produzem fruto.

É isto que Deus espera de nós. Não espera cristãos perfeitos. Espera corações disponíveis. Espera homens e mulheres que permitam à sua Palavra criar raízes profundas.

Peçamos hoje ao Senhor a graça de não sermos apenas ouvintes ocasionais da sua Palavra, movidos pelo entusiasmo de um momento. Peçamos um coração humilde, perseverante e fecundo, onde a semente do Evangelho possa criar raízes profundas e produzir frutos de santidade, de caridade e de esperança.

Que Maria, Mãe de Jesus, que guardava todas as palavras no seu coração e as meditava continuamente, nos ensine também a escutar, a acolher e a viver a Palavra do seu Filho. Ámen.

Oração sobre as oblatas
Olhai, Senhor, para os dons da vossa Igreja em oração e concedei aos fiéis que os vão receber a graça de crescerem na santidade. Por Cristo nosso Senhor.

Antífona da comunhão Cf. Sl 83, 4-5
As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.
Ou: Cf. Jo 6, 57
Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

Oração depois da comunhão
Senhor, que nos alimentais à vossa mesa santa, humildemente Vos suplicamos: sempre que celebramos estes mistérios, aumentai em nós os frutos da salvação.
Por Cristo nosso Senhor.

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